Dedicado à Pi
Agora escrevo. Agora sinto. Responsavelmente, brinco com o fogo, mas por gosto. Agora sinto. Agora escrevo. E quando há mais para escrever mas a cabeça não reconhece quaisquer motivos para tal, tenta-se sentir. Sentir, sentir, sentir qualquer coisa que motive o ato criativo. Mas para sentir, eu escrevo e quando finalmente sinto, volto a escrever. Mas estas duas escritas são infinitamente distintas. A frustração é a espessa linha que as separa. Para o mal e não para o bem. Mas agora descobre… Isto que lês, é a frustração ou o empurrão do sentimento? Agora escrevo. Agora sinto. Esta é a explicação do que faço sempre para me sentir realizado, diariamente, nesta minha atividade. Mas será que a minha inspiração levou a estas linhas ou esta foi a redenção e o reconhecimento do meu fracasso mental. Por minha natureza, sirvo o que não quero e o que quero só o sirvo por esforço. Mas neste falhanço está explicita a minha deficiente entrega. Eu sei bem a resposta para a questão que te propus. Nem sempre o escritor faz a interrogação para induzir em dúvida o leitor e ele próprio. Apenas para ver e sentir (sim, sentir) aquilo que o escritor gosta de ver nos que o leem (porque ler o livro ou certos parágrafos é ler o sujeito): adivinhar a proposição propositada originária da diversão peculiar do produtor de palavreado. E mesmo que não te veja, estou-te a sentir e é apenas isso o que necessito. Porque a tua energia, gasta do pensamento racional e mecanizado vai-me mover inconscientemente e criar a inspiração. Já adivinhaste? Agora escrevo. Agora sinto. Agora escrevo. Agora sinto. Nem sempre o escritor faz a interrogação para induzir em dúvida o leitor. Apenas para sentir. Agora escrevo. Agora sinto. Para terminar esta divagação, tenho a agradecer-te a energia sentimental que me transmitiste (e de ambas as partes, inconscientemente!). É fruto da frustração, mas produz exercício benéfico.
21/10/2011
